Que seja sempre assim :)

Lembranças e lembranças,
Um som marcante quando criança era, ver a minha mãe cuidar da casa, enquanto tocava ” Time ” do Pink Floyd.
Quando tocava aquele despertador, eu ficava tão feliz que corria por toda a casa feliz ! kkk
Claro que não é segredo pra ninguém quão bom é o Pink Floyd, esse som que progressivo que fez história nos anos 60 , super influente, marcando vidas até hoje, e com certeza continuará assim, com os meus filhos e netos.

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Mas como o meu foco normalmente é procurar saber e repassar sobre sons bons porém não muito explorados, venho falar sobre o último album do Pink Floyd “The Endless River” que não foi tão popular como os discos anteriores, digo até que polêmico.
Já havia sido gravado a anos, e a impressão que deu, foi que esse álbum ficou guardado pra quando fosse anunciado o fim da banda.
Enfim, estava ouvindo esse álbum hoje mesmo, e venho aqui humildemente explicar o que entendi desse álbum fabuloso ( me desculpe quem não gosto).
Vamos falar do CD. Ele está dividido em 4 “Sides” ou lados.

Side 1: A faixa de abertura, “Things Left Unsaid” inicia com samples vocais da banda e vai aumentando em uma música instrumental climática, lenta e que remete a um som bem ambiental. Há momentos, como falei acima que se nota passagens de outros álbums da banda, coisas bem parecidas com o que já ouvimos anteriormente. É o que se nota quando começa “It’s What We Do”, que me dá ares de Dark Side of the Moon, tanto no quesito andamento quanto no quesito melodia. É uma de minhas favoritas do álbum e não é para menos. “Ebb and Flow” é apenas um encerramento ao Side 1, o que nos leva ao próximo momento do álbum.

Side 2: inicia-se com “Sum”, e uma sonoridade mais parecida com a fase do Floyd de 1987 a 1995, segue para “Skins” em uma jam instrumental tendo Mason como destaque enquanto Gilmour destila suas passagens de guitarra com som de nota prolongada tão característicos, evocando aí até momentos do período inicial da banda, “Unsung” é apenas uma bridge para a próxima, a lindíssima “Anisina” que tem um tom bastante melancólico em sua melodia, bastante apropriado até. Pesquisando, descobri que o termo ‘anisina’ é turco para ‘em memória a’. Está aqui a única faixa do álbum feita em 2014, como uma homenagem a Wright de Gilmour e Mason e com uma sonoridade bastante reminiscente de “Us and Them”, com Gilmour procurando emular ao máximo o teclado de Wright como forma de homenagear seu amigo.

Side 3: Inicia-se um prelúdio introdutório, “The Lost Art of Conversation” para desembocar em outra de minhas favoritas do disco, “On Noodle Street”, que é bem climática, sem grandes incursões solo; segue esta estação do disco em mais uma breve bridge, “Night Light” que desemboca na ótima “Allons-Y (1)” que é uma grande favorita minha, com uma sonoridade bastante remanescente de The Wall e que também me lembrou bastante o arranjo de “Sorrow”, do disco A Momentary Lapse of Reason. O título, interessante por si só provém do francês, que quer dizer “venha comigo” ou “vamos lá”; segue a bridge “Autumn ’68” (sendo esta uma referência a uma fase inícial do grupo que teve uma certa turbulência, ao serem banidos de tocarem no Royal Albert Hall por terem deixado objetos perigosos em cima do palco após um show) que desemboca na sequência em “Allons-Y (2)”, curiosamente a mesma estrutura da faixa “Another Brick in the Wall” composta de três partes, sem falar no arranjo semelhante. Assim, a terceira etapa do disco termina com “Talkin’ Hawkin'” uma melodia lenta e arrastada, remanescente da sonoridade mais clássica do grupo e contendo os mesmos samples de voz feitos por Stephen Hawking em The Division Bell, na faixa “Keep Talking”, fechando assim o Side 3.

Side 4: inicia-se com “Calling”, cuja introdução me faz lembrar vagamente de “Echoes”, até mesmo pelos efeitos arranjados por Gilmour com uma sonoridade bastante soturna e espacial e continua em “Eyes to Pearls”, contendo um de meus arranjos favoritos no álbum composto pelo campo harmônico do violão de Gilmour; “Surfacing” dá sequência com o trio em perfeita sintonia lembrando novamente seu período mais clássico e termina na última faixa do álbum, “Louder Than Words”, a primeira e única música cantada do álbum, e eu juro que imaginei o Gilmour cantando essa letra para um estarrecido Roger Waters, juro que imaginei! Que versos absurdamente condizentes à relação tempestuosa que ambos nutriam! Acho que, no fim das contas, todos alí poderiam ter parte nestes versos. Fechando a faixa, volta-se ao início da primeira faixa do álbum, com os sons e samples que o iniciaram, dando a ideia de um fecho de círculo, o círculo completo… o fim e o início se encontram novamente.

O álbum inteiro na verdade nutre-se deste tema, uma vez que resgata vários momentos da carreira da banda. Trata-se de um encerramento honrado e condizente com o momento, um adeus.
Infelizmente adeus Pink Floyd.

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